Um terço do patrimônio tombado do Brasil é católico: seminário em Brasília discute como preservá-lo
Dos 1.320 bens tombados pelo Iphan, 424 estão ligados à Igreja. CNBB, Iphan e MPF debatem fundo patrimonial, conservação preventiva e combate ao tráfico de arte sacra.

Resumo
Quase um terço do patrimônio cultural protegido pelo governo federal no Brasil é católico. Dos 1.320 bens tombados pelo Iphan, 424 — cerca de 32% — estão ligados à Igreja. O dado foi destaque no II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico, realizado em Brasília de segunda (5) a quinta-feira (8).
O encontro reuniu a CNBB, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Ministério Público Federal e representantes da sociedade civil para definir ações conjuntas de preservação.
Onde está o patrimônio cultural católico
A maior parte dos bens católicos tombados está em Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e Sergipe — estados que concentram o legado do período colonial, do barroco mineiro às igrejas douradas de Salvador e Recife. São templos, retábulos, imagens, pinturas de forro, acervos documentais e tradições que contam a história do país.
O que foi discutido
Participaram, entre outros, dom João Justino de Medeiros Silva, primeiro vice-presidente da CNBB; Davidson Guzmão, presidente do Iphan; e o subprocurador-geral da República Paulo Jacobina. As prioridades apresentadas foram:
- identificar os bens e manter inventários atualizados;
- captar recursos para restauração e manutenção;
- fortalecer o acordo de cooperação entre MPF, CNBB e Iphan;
- incentivar a conservação preventiva, que evita obras caras no futuro;
- combater o tráfico ilícito de arte sacra.
Um fundo para o restauro
Uma das novidades é o fundo patrimonial criado neste ano e coordenado pela CNBB, com apoio do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis). O fundo recebe doações privadas destinadas à restauração e à manutenção de bens católicos, com separação patrimonial e regras que dão segurança jurídica a quem doa.
Por que a conservação preventiva importa
Os riscos não são teóricos. Infiltrações, cupins e falta de manutenção corroem estruturas centenárias sem fazer barulho, até que o problema aparece de forma trágica. Em fevereiro de 2025, o desabamento parcial do forro da Igreja de São Francisco de Assis, em Salvador, deixou uma vítima fatal e feridos, e se tornou um alerta nacional sobre a urgência de cuidar desse acervo.
Patrimônio de todos
Os participantes insistiram que esse acervo não pertence só aos católicos: é parte viva da memória e da identidade nacional. Protegê-lo, disse o presidente do Iphan, também é promover cidadania.
Para paróquias e comunidades, a mensagem é prática: cuidar cedo custa menos. Veja como agir em Restauro de imagens sacras: o que fazer e o que nunca fazer e conheça caminhos de financiamento em Como paróquias podem captar recursos para restauro.
A cobertura oficial do seminário foi publicada pelo Ministério Público Federal.
Perguntas frequentes
Quantos bens tombados no Brasil são ligados à Igreja Católica?
Segundo dados apresentados no seminário, 424 dos 1.320 bens tombados pelo Iphan em nível federal, cerca de 32%.
O que é o fundo patrimonial da CNBB?
Um fundo criado em 2026 e coordenado pela CNBB, com apoio do Idis, para receber doações privadas destinadas à restauração e manutenção de bens católicos.
Onde está a maior parte desse patrimônio?
Em Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e Sergipe.
Fontes
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