InfoCatólica
Compartilhe essa notícia no WhatsApp

O silêncio como antídoto à pressa digital

A tradição cristã sempre soube que Deus fala no silêncio. Recuperá-lo, em tempos de notificações sem fim, é um ato de resistência espiritual.

Nave silenciosa de uma catedral
Nave silenciosa de uma catedral (Michael D Beckwith / Wikimedia Commons, CC0)
R
Redação InfoCatólicaPublicado em 3 de outubro de 2026 às 01h53. 1 min de leitura.
Resumo

O profeta Elias não encontrou Deus no vento forte, no terremoto nem no fogo, mas numa "brisa suave". A cena do Primeiro Livro dos Reis é uma das mais belas da Escritura e diz algo essencial: Deus fala no silêncio.

Hoje, o silêncio é quase um luxo. O celular vibra, as notificações se acumulam, o tempo livre é preenchido por vídeos curtos. Não se trata de demonizar a tecnologia — santos como Carlo Acutis mostraram que ela pode servir ao bem. Trata-se de recuperar o domínio sobre a própria atenção.

Pequenos desertos

Os monges chamavam de "deserto" o lugar de encontro com Deus. Podemos criar pequenos desertos no cotidiano: dez minutos sem tela pela manhã, uma visita a uma igreja vazia no meio do dia, o caminho para o trabalho sem fones de ouvido. Práticas como a Lectio Divina nascem justamente desse silêncio.

Silêncio não é vazio

O silêncio cristão não é ausência: é presença. É o espaço em que a Palavra pode ecoar, em que o coração se ordena, em que aprendemos a escutar os outros. Uma Igreja que fala muito e escuta pouco perde credibilidade; um fiel que reza sem silêncio corre o risco de falar sozinho.

Talvez o gesto mais contracultural do nosso tempo seja este: desligar, sentar-se e simplesmente estar diante de Deus.

Texto de opinião da Redação InfoCatólica.

Acompanhe tudo sobre: Silêncio, Vida digital, Espiritualidade

Mais de Opinião

Opinião

Por que a beleza ainda evangeliza

Ver mais notícias de Opinião