Pesquisa da CNBB com 11 mil jovens mostra como a fé passa de geração em geração
Relatório completo sobre evangelização da juventude revela que pais e avós são a principal referência de fé e que faltam espaços adequados nas paróquias.

Resumo
A Igreja no Brasil ganhou um retrato detalhado dos jovens que frequentam suas comunidades. A Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB divulgou o relatório completo da Pesquisa Nacional sobre Evangelização da Juventude, que ouviu 11.498 adolescentes e jovens de todas as regiões do país.
O estudo foi feito em parceria com a FTD Educação e contou com o Observatório Juventudes da PUCRS, a Cátedra Unesco de Juventude da Universidade Católica de Brasília e o Departamento de Teologia da PUC-Rio. Os dados foram coletados on-line entre maio e julho de 2025.
A fé começa em casa
O dado que mais chama a atenção é sobre quem transmite a fé. Os pais são a principal referência para 46,4% dos entrevistados, e os avós para 18,7%. Somadas, as figuras familiares superam de longe a Igreja institucional (13,2%), os amigos (6,4%) e a internet (6,3%).
O perfil é de jovens muito engajados: 68,5% vão à igreja toda semana e 25,1% participam de alguma atividade diariamente. A maioria vive em cidades (86,3%) e tem entre 18 e 24 anos (64,8%). Metade estuda e trabalha ao mesmo tempo.
O que afasta e o que atrai na evangelização da juventude
Entre os 538 entrevistados que não fazem parte de grupos, pastorais ou movimentos, 55,3% disseram não encontrar espaços adequados à sua idade ou fase da vida. Outros 32,8% citaram dificuldades de organização, de espiritualidade ou de doutrina.
Já quem participa aponta como principais motivações:
- conhecer melhor a fé (17,3%);
- viver a espiritualidade cristã (16,4%);
- fazer amizades (11%);
- sentir-se parte de algo maior (9,8%).
Os temas que os jovens mais querem aprofundar são santidade e fé cristã, formação integral e saúde mental, este último citado por um em cada dez entrevistados.
Participação ainda é desafio
A pesquisa também mediu como os jovens enxergam seu papel nas comunidades. Apenas 26,5% sentem que sua opinião é ouvida e gera mudança. Para 23%, há espaço, mas falta interesse dos próprios jovens; outros 23% dizem que são chamados para executar tarefas, mas ficam de fora das decisões.
O presidente da Comissão para a Juventude, dom Vilsom Basso, resumiu o objetivo do trabalho: para servir melhor aos jovens, é preciso conhecê-los e refletir sobre sua realidade.
Onde acessar o relatório
O documento pode ser baixado gratuitamente no portal Jovens Conectados, e as regionais da CNBB vão receber mais de mil cópias impressas. A ideia é que dioceses, pastorais e grupos usem os números para planejar a evangelização da juventude nos próximos anos.
Os dados também dialogam com a intenção de oração do Papa para este mês, dedicada à saúde mental: leia em Intenção de oração de outubro. E conheça um modelo de santidade jovem em Carlo Acutis, o santo da internet.
Perguntas frequentes
Quantos jovens participaram da pesquisa da CNBB?
11.498 adolescentes e jovens de todas as regiões do Brasil, ouvidos por questionário on-line entre maio e julho de 2025.
Quem mais transmite a fé aos jovens, segundo a pesquisa?
Os pais (46,4%), seguidos dos avós (18,7%). A Igreja institucional aparece com 13,2%, e a internet, com 6,3%.
Onde baixar o relatório completo?
No portal Jovens Conectados (jovensconectados.org.br), da Comissão para a Juventude da CNBB. As regionais também vão receber mais de mil exemplares impressos.
Fontes
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