InfoCatólica
Compartilhe essa notícia no WhatsApp

Na ONU, Santa Sé pede o fim da pena de morte em todo o mundo

Dom Christophe El-Kassis afirmou que a dignidade humana não se perde nem diante do pior crime e pediu moratória nos Estados Unidos.

Plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU em Nova York
Plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU em Nova York (Basil D Soufi / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0)
R
Redação InfoCatólicaPublicado em 9 de outubro de 2026 às 14h25. 2 min de leitura.
Resumo

A Santa Sé voltou a pedir à comunidade internacional a abolição da pena de morte. O apelo foi feito na quarta-feira (7) por dom Christophe Zakhia El-Kassis, observador permanente do Vaticano nas Nações Unidas, durante sessão da Terceira Comissão da 81ª Assembleia Geral, em Nova York.

Segundo o arcebispo, a defesa dos direitos humanos só é crível quando é coerente e universal, alcançando todas as pessoas em todas as circunstâncias, inclusive quem cometeu crimes graves.

Os argumentos contra a pena de morte

Dom El-Kassis citou o Catecismo da Igreja Católica, que desde 2018 classifica a pena capital como inadmissível por atentar contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa. A partir daí, desenvolveu quatro ideias:

  • a dignidade humana nunca se perde, qualquer que seja o crime;
  • os sistemas penais modernos conseguem proteger a sociedade sem eliminar a possibilidade de arrependimento;
  • quando um inocente é executado, não há como reparar o erro;
  • tirar outra vida não devolve o que as vítimas perderam.

O representante destacou que as vítimas e suas famílias merecem solidariedade, apoio e justiça rápida e imparcial. Mas a punição, disse, deve reparar os laços sociais, proteger o bem comum e reintegrar o condenado, e não servir como vingança.

Recado direto aos Estados Unidos

O discurso teve um destinatário claro. O arcebispo pediu aos estados americanos que ainda aplicam a pena capital que adotem uma moratória nas execuções como passo para a abolição, comutem as sentenças existentes e garantam julgamentos justos.

O contexto ajuda a entender o tom. No fim de setembro, uma execução por injeção letal falhou no Tennessee, e a condenada sobreviveu. Dias depois, o Texas realizou a 30ª execução do ano no país. E, na segunda-feira (5), o presidente Donald Trump autorizou o fuzilamento de um militar. Os bispos americanos também têm pedido o fim da prática.

Drogas e povos indígenas

Na mesma rodada de sessões, a delegação vaticana falou sobre outros temas. Sobre o narcotráfico, pediu determinação contra o avanço dos mercados de drogas e sua ligação com a corrupção e lembrou, citando Leão XIV, que a prevenção começa na família e continua na escola. Sobre os povos indígenas, defendeu que eles sejam tratados como protagonistas do próprio destino, e não como objeto de políticas de desenvolvimento.

O que mudou no ensino da Igreja

A posição atual foi consolidada em 2018, quando o Papa Francisco aprovou uma nova redação do número 2267 do Catecismo. Antes, o texto admitia a pena de morte em casos extremos. Hoje, a Igreja afirma que se empenha com determinação pela sua abolição em todo o mundo.

O Brasil aboliu a pena de morte para crimes comuns, e a Constituição de 1988 só a admite em caso de guerra declarada. Acompanhe outras notícias da Santa Sé na editoria Vaticano e conheça o perfil do pontífice em Quem é Leão XIV.

Perguntas frequentes

O que a Igreja Católica ensina sobre a pena de morte?

Desde a revisão de 2018 do Catecismo (n. 2267), a Igreja ensina que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, e se empenha pela sua abolição.

Quem falou pela Santa Sé na ONU?

Dom Christophe Zakhia El-Kassis, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Nova York, na Terceira Comissão da Assembleia Geral, em 7 de outubro de 2026.

Fontes

Acompanhe tudo sobre: Pena de morte, Santa Sé, ONU, Dignidade humana, Catecismo

Mais de Mundo

Ver mais notícias de Mundo