Na ONU, Santa Sé pede o fim da pena de morte em todo o mundo
Dom Christophe El-Kassis afirmou que a dignidade humana não se perde nem diante do pior crime e pediu moratória nos Estados Unidos.

Resumo
A Santa Sé voltou a pedir à comunidade internacional a abolição da pena de morte. O apelo foi feito na quarta-feira (7) por dom Christophe Zakhia El-Kassis, observador permanente do Vaticano nas Nações Unidas, durante sessão da Terceira Comissão da 81ª Assembleia Geral, em Nova York.
Segundo o arcebispo, a defesa dos direitos humanos só é crível quando é coerente e universal, alcançando todas as pessoas em todas as circunstâncias, inclusive quem cometeu crimes graves.
Os argumentos contra a pena de morte
Dom El-Kassis citou o Catecismo da Igreja Católica, que desde 2018 classifica a pena capital como inadmissível por atentar contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa. A partir daí, desenvolveu quatro ideias:
- a dignidade humana nunca se perde, qualquer que seja o crime;
- os sistemas penais modernos conseguem proteger a sociedade sem eliminar a possibilidade de arrependimento;
- quando um inocente é executado, não há como reparar o erro;
- tirar outra vida não devolve o que as vítimas perderam.
O representante destacou que as vítimas e suas famílias merecem solidariedade, apoio e justiça rápida e imparcial. Mas a punição, disse, deve reparar os laços sociais, proteger o bem comum e reintegrar o condenado, e não servir como vingança.
Recado direto aos Estados Unidos
O discurso teve um destinatário claro. O arcebispo pediu aos estados americanos que ainda aplicam a pena capital que adotem uma moratória nas execuções como passo para a abolição, comutem as sentenças existentes e garantam julgamentos justos.
O contexto ajuda a entender o tom. No fim de setembro, uma execução por injeção letal falhou no Tennessee, e a condenada sobreviveu. Dias depois, o Texas realizou a 30ª execução do ano no país. E, na segunda-feira (5), o presidente Donald Trump autorizou o fuzilamento de um militar. Os bispos americanos também têm pedido o fim da prática.
Drogas e povos indígenas
Na mesma rodada de sessões, a delegação vaticana falou sobre outros temas. Sobre o narcotráfico, pediu determinação contra o avanço dos mercados de drogas e sua ligação com a corrupção e lembrou, citando Leão XIV, que a prevenção começa na família e continua na escola. Sobre os povos indígenas, defendeu que eles sejam tratados como protagonistas do próprio destino, e não como objeto de políticas de desenvolvimento.
O que mudou no ensino da Igreja
A posição atual foi consolidada em 2018, quando o Papa Francisco aprovou uma nova redação do número 2267 do Catecismo. Antes, o texto admitia a pena de morte em casos extremos. Hoje, a Igreja afirma que se empenha com determinação pela sua abolição em todo o mundo.
O Brasil aboliu a pena de morte para crimes comuns, e a Constituição de 1988 só a admite em caso de guerra declarada. Acompanhe outras notícias da Santa Sé na editoria Vaticano e conheça o perfil do pontífice em Quem é Leão XIV.
Perguntas frequentes
O que a Igreja Católica ensina sobre a pena de morte?
Desde a revisão de 2018 do Catecismo (n. 2267), a Igreja ensina que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, e se empenha pela sua abolição.
Quem falou pela Santa Sé na ONU?
Dom Christophe Zakhia El-Kassis, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Nova York, na Terceira Comissão da Assembleia Geral, em 7 de outubro de 2026.
Fontes
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