Frade franciscano pede votos para Lula e nega que comissões da CNBB tenham organizado o evento
Frei Flávio Lorrane falou em plenária “pela democracia” em Brasília. Conselho do Laicato diz que não faz ação partidária; Direito Canônico veda militância de clérigos.

Resumo
Um frade franciscano virou centro de uma polêmica na reta final da eleição presidencial. Frei Flávio Lorrane Clementino de Almeida, da Ordem dos Frades Menores, pediu votos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a Plenária Nacional do Povo de Deus pela Democracia, realizada na quinta-feira (8), em Brasília.
Em vídeo, o religioso convocou os presentes a se engajar para reeleger o presidente. Ele também compartilhou um trecho da fala do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que pediu aos eleitores que compareçam às urnas no segundo turno, em 25 de outubro.
A acusação e a negativa do frade franciscano
Depois do evento, circularam nas redes acusações de que comissões ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam participado da organização da plenária. O frade negou. Segundo ele, não foi a CNBB que organizou o encontro, e sim leigos independentes ligados a movimentos e grupos católicos.
O Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) também se manifestou, em nota intitulada “Não acreditem em mentira”. O texto afirma que o conselho não tem partido, não faz ação partidária e não indica candidatos.
O que diz a Igreja sobre padres e eleições
As regras da Igreja sobre o assunto são claras em dois níveis:
- Direito Canônico: o cânon 287, parágrafo 2, determina que os clérigos não tenham parte ativa em partidos políticos, a não ser que a autoridade eclesiástica julgue necessário para defender os direitos da Igreja ou promover o bem comum.
- CNBB: na mensagem ao povo brasileiro de junho de 2026, os bispos reafirmaram que a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos.
Isso não impede que leigos católicos participem da política, apoiem candidatos e militem em partidos. A restrição vale para padres, diáconos e bispos, cuja palavra costuma ser recebida como posição da Igreja.
Um debate que atravessa as campanhas
O caso não é isolado. No início de outubro, a Diocese de Paranavaí (PR) afastou por 30 dias um padre que fez discurso político após uma missa, criticando o governo e defendendo a troca na Presidência. Na ocasião, o bispo citou o Papa Leão XIV, para quem a Igreja “nunca toma partido”.
Os dois episódios, com sinais trocados, mostram como a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro tem chegado aos templos e às redes católicas. A reportagem não registrou manifestação da Ordem dos Frades Menores sobre a fala do religioso.
Acompanhe outros assuntos da Igreja no país na editoria Igreja no Brasil. Conheça também o Papa citado pelo bispo de Paranavaí em Quem é Leão XIV. A reportagem original é da ACI Digital.
Perguntas frequentes
O que o frade franciscano disse sobre Lula?
Frei Flávio Lorrane pediu mobilização pela reeleição do presidente Lula durante a Plenária Nacional do Povo de Deus pela Democracia, em 8 de outubro, em Brasília.
A CNBB organizou o evento?
O frade afirma que não e diz que a organização foi feita por leigos independentes. O Conselho Nacional do Laicato do Brasil divulgou nota dizendo que não tem partido e não indica candidatos.
Padre pode fazer campanha eleitoral?
O cânon 287 §2 do Código de Direito Canônico proíbe clérigos de ter parte ativa em partidos políticos, salvo quando a autoridade eclesiástica julgar necessário para defender os direitos da Igreja ou o bem comum.
Fontes
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